Investir em ações portuguesas, sim ou não?
- Jana

- 10 de out. de 2025
- 3 min de leitura

Quando falamos de investir em ações, muitas vezes o foco vai para os mercados globais (EUA, Europa, emergentes) e esquecemos o mercado nacional. Mas será que investir em ações portuguesas, com foco numa carteira de dividendos, é uma boa opção? Vamos analisar.
1. A Dimensão do Mercado Português
A Bolsa de Lisboa (Euronext Lisbon) é relativamente pequena quando comparada com mercados como o norte-americano ou mesmo o europeu.
Menor número de empresas cotadas.
Menor liquidez (menos volume de negociação diário).
Maior concentração em alguns setores (energia, banca, retalho, telecomunicações).
👉 Isto significa menos opções de diversificação dentro de Portugal.
2. Empresas Portuguesas com Histórico de Dividendos
Apesar da dimensão reduzida, algumas empresas portuguesas têm tradição em distribuir dividendos:
EDP e EDP Renováveis – setor energético com distribuição consistente.
Galp Energia – energia e petróleo.
Jerónimo Martins – retalho alimentar (Pingo Doce, ...).
NOS – telecomunicações.
BCP – setor bancário.
Corticeira Amorim – líder mundial em cortiça.
Estas empresas são conhecidas pela solidez relativa no mercado nacional e por pagarem dividendos de forma recorrente.
3. Vantagens de Investir em Portugal
Proximidade: conheces melhor as empresas, o contexto e as notícias.
Fiscalidade simples: retenção na fonte de 28% em dividendos.
Algumas yields atrativas: em determinados anos, as empresas portuguesas distribuem dividendos competitivos em relação a médias europeias.
4. Limitações e Riscos
Menor diversificação: poucas empresas, muito concentradas em setores específicos.
Maior volatilidade política/económica: crises nacionais podem ter impacto maior.
Rentabilidade inferior: historicamente, os mercados globais (especialmente o norte-americano) têm dado melhores retornos a longo prazo do que a bolsa portuguesa.
Liquidez baixa: pode ser mais difícil comprar/vender grandes quantidades sem afetar o preço.
5. Comparação com Investir nos EUA ou Global
EUA:
Muito mais empresas.
Dividendos consistentes (Coca-Cola, Johnson & Johnson, Microsoft, etc.).
Rentabilidade histórica superior.
Melhor diversificação setorial e inovação.
Global (via ETFs, por ex.):
Exposição a milhares de empresas em dezenas de países.
Reduz risco de concentração.
Inclui tanto EUA como emergentes e Europa.
👉 Em comparação, Portugal oferece menos opções e menor retorno esperado, mas pode ser usado como complemento dentro de uma carteira mais diversificada, caso faça parte das tuas preferências.
6. Estratégia Possível
Se o teu objetivo é dividendos estáveis, podes incluir algumas ações portuguesas (ex.: EDP, Jerónimo Martins, Corticeira Amorim).
Contudo, se pretendes maior retorno esperado face ao risco a maior parte da tua carteira de dividendos deve estar em empresas globais sólidas ou por exemplo ETFs de dividendos.
Portugal pode ser visto como uma pequena percentagem da carteira (ex.: 5-10%), para ter proximidade com o mercado local, mas não deve ser a base da estratégia.
E muito importante: uma taxa de dividendos alta não significa que o ativo esteja a crescer, e para um investidor ganhar dinheiro ambos os fatores devem ser levados em conta.
Conclusão
Investir em ações portuguesas com foco em dividendos pode ser viável, mas dificilmente será tão rentável e diversificado como investir nos EUA ou em mercados globais.
Bom para complementar e para quem gosta de investir em empresas que conhece bem.
Menos indicado como única estratégia, devido à falta de diversidade e histórico de crescimento inferior.
👉 Se o teu foco é renda passiva consistente e crescimento a longo prazo e ainda tens preferências pelo mercado português, o ideal é combinar o melhor dos dois mundos:
Ter uma pequena exposição a Portugal.
Manter a maior parte do portefólio em ações globais e ETFs de dividendos.




Comentários